Por que orar com a Palavra de Deus? Um guia bíblico para orar com base nas Escrituras
- 4 de agosto
- 7 minutos de leitura
Introdução
A oração é um dos maiores privilégios que Deus concedeu aos Seus filhos. Através da oração, nós O adoramos, expressamos nosso amor por Ele, intercedemos por outros e participamos da Sua obra na Terra. No entanto, muitos crentes sinceros fazem uma pergunta importante: "Por que devo orar usando as Escrituras? Não basta simplesmente falar do meu coração?"
A Bíblia certamente nos encoraja a derramar nossos corações diante de Deus (Salmo 62:8). A oração genuína nunca deve se tornar uma repetição mecânica de versículos ou palavras religiosas vazias. Ao mesmo tempo, as Escrituras revelam um padrão extraordinário que muitos cristãos ignoram. Ao longo da Bíblia, o povo de Deus orou repetidamente de acordo com a Sua Palavra. Jesus orou. Os apóstolos oraram. A Igreja primitiva orou.
Isso não deveria nos surpreender. Se a Bíblia revela o caráter de Deus, Suas promessas e Sua vontade, então não há melhor fundamento sobre o qual construir nossas orações.
Orar com a Palavra não substitui a conversa pessoal com Deus. Em vez disso, preenche nossas orações com a Sua verdade, alinha nossos corações aos Seus propósitos, fortalece nossa fé e nos ensina a orar como Ele deseja. Transforma a oração, deixando de ser uma simples expressão de nossos pensamentos para se tornar uma concordância com o coração e a vontade de Deus.
A Palavra de Deus revela a vontade de Deus

Um dos maiores desafios que os crentes enfrentam na oração é saber se estão orando de acordo com a vontade de Deus. Muitas vezes nos perguntamos: "Será que é isso que Deus deseja? Será que estou pedindo algo que O honre?"
As Escrituras fornecem a resposta porque revelam o coração de Deus. Elas nos mostram o que lhe agrada, o que ele promete, o que ele ordena e o que ele deseja realizar entre o seu povo. O apóstolo João escreve:
1 João 5:14-15 — "Esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos."
Note que nossa confiança não está enraizada em nossas emoções ou desejos pessoais, mas na vontade revelada de Deus. Quanto mais conhecemos a Sua Palavra, mais confiança temos de que estamos pedindo o que O agrada.
Essa é uma das razões pelas quais orar com as Escrituras é tão poderoso. Em vez de nos perguntarmos se nossos pedidos estão de acordo com o coração de Deus, começamos com o que Ele já disse. Sua Palavra renova nossas mentes (Romanos 12:2), molda nossos desejos e nos ensina a buscar primeiro o Seu reino, e não o nosso.
Ao preenchermos nossas orações com as Escrituras, gradualmente deixamos de pedir a Deus que abençoe nossos planos e começamos a pedir que Ele realize Seus planos por meio de nós.
Jesus e a Igreja Primitiva Oraram a Palavra
Talvez a razão mais forte para orar com a Palavra seja simplesmente esta: o próprio Jesus o fez.
Ao longo de seu ministério terreno, Jesus viveu em completa dependência de seu Pai e demonstrou continuamente a centralidade das Escrituras.
Quando Satanás o tentou no deserto, Jesus não se baseou no raciocínio humano nem em argumentos emocionais. Três vezes Ele respondeu com as mesmas palavras:
Mateus 4:4 — "Está escrito..."
A autoridade residia na Palavra de Deus.
Mesmo sofrendo na cruz, as últimas orações de Jesus, que foram registradas, ecoavam as Escrituras.
Mateus 27:46 — "Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?" (Salmo 22:1)
Lucas 23:46 — "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito!" (Salmo 31:5)
Em seu maior sofrimento, seu coração transbordou com a Palavra de Deus.
O mesmo padrão continuou na Igreja primitiva.
Após Pedro e João serem ameaçados pelos líderes religiosos, os crentes se reuniram para orar (Atos 4:23-31). Em vez de começarem com medo ou descreverem tudo o que seus inimigos estavam fazendo, eles primeiro adoraram a Deus como Criador e, em seguida, citaram o Salmo 2, reconhecendo que a oposição que enfrentavam já havia sido predita nas Escrituras.
Só então apresentaram o seu pedido:
Atos 4:29 — "Agora, Senhor, olha para as ameaças deles e concede aos teus servos que anunciem a tua palavra com toda a ousadia."
Suas orações eram repletas de Escrituras e centradas nos propósitos de Deus, e não na oposição humana.
Ao longo do Novo Testamento, encontramos esse mesmo padrão repetidamente. O povo de Deus permitiu que Sua Palavra moldasse a maneira como oravam porque entendia que Suas promessas, Sua verdade e Sua vontade forneciam o alicerce mais sólido para toda oração.
Reze pela resposta, não pelo problema

Um dos padrões mais marcantes no ministério de Jesus e da Igreja primitiva não é apenas o que eles oravam, mas também o que eles não oravam.
Ao lermos os Evangelhos e o livro de Atos, não encontramos Jesus ou os apóstolos fazendo das trevas o centro de suas orações. Certamente, eles reconheciam a realidade de Satanás, dos demônios, do pecado, da perseguição e do mal, mas sua atenção permanecia fixa no Pai, em Seu reino e em Sua Palavra.
Quando Satanás tentou Jesus, Ele simplesmente respondeu:
Mateus 4:4 — "Está escrito..."
Ele respondeu com a verdade de Deus.
Quando a Igreja primitiva enfrentou perseguição, eles não passaram suas reuniões de oração descrevendo tudo o que o inimigo estava fazendo. Eles declararam a soberania de Deus, oraram com a Sua Palavra e pediram ousadia para continuar cumprindo a Sua missão (Atos 4:24-30).
Mesmo quando Jesus se deparou com demônios, suas ordens foram notavelmente diretas.
Marcos 1:25 — "Mas Jesus o repreendeu, dizendo: 'Cale-se e saia dele!'"
A ênfase nunca foi em exaltar as trevas ou em manter longas conversas com o mal. A ênfase permaneceu na autoridade de Cristo.
Isso nos ensina um princípio importante. A oração bíblica não se trata primordialmente de ampliar o problema. Trata-se de concordar com a resposta de Deus. O apóstolo Paulo escreveu:
2 Coríntios 3:18 — "E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem..."
Aquilo que contemplamos continuamente molda quem nos tornamos.
Se nossa atenção estiver constantemente consumida pelas trevas, pelo medo e por tudo o que o inimigo está fazendo, nossa mente gradualmente se ocupará com essas coisas. Mas quando nossa atenção está fixa em Cristo, em Suas promessas, em Seu reino e em Sua Palavra, o Espírito Santo nos transforma à Sua semelhança.
Isso não significa que ignoramos a guerra espiritual. Significa que a combatemos da maneira como Jesus a combateu — firmando-nos na verdade de Deus e proclamando a Sua Palavra. Nossa confiança não reside na grandeza do problema, mas na grandeza do nosso Salvador.
Como orar a Palavra de Deus

Orar com as Escrituras é maravilhosamente simples. Comece lendo uma pequena passagem lentamente e pedindo ao Espírito Santo que o ajude a compreender o que ela revela sobre o caráter de Deus ou a Sua vontade. Depois, transforme essas verdades em oração ou declaração pessoal.
Suponha que você queira orar por sua família com base em Efésios 1:17:
"...para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo... vos dê o Espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele."
Então, você pode orar:
"Pai, peço que concedas aos meus familiares um espírito de sabedoria e revelação para que Te conheçam mais profundamente. Revele-lhes Jesus Cristo. Abra os olhos deles para a Tua verdade e conduza-os a um relacionamento mais íntimo contigo."
Uma das chaves para orar com a Palavra é ser específico. Em vez de orar em termos gerais, aplique as promessas de Deus à pessoa, família, igreja, cidade ou nação pela qual você está intercedendo. Mencione-as antes de declarar as Escrituras. A igreja primitiva orava especificamente, e ao longo das Escrituras encontramos crentes apresentando pedidos concretos ao Senhor.
Outro exemplo, usando a mesma passagem bíblica:
"Pai, peço que concedas às crianças desta cidade de __________ (mencione a cidade) um espírito de sabedoria e revelação para que elas Te conheçam mais profundamente. Revele-lhes Jesus Cristo."
A Bíblia também nos lembra que a Palavra de Deus carrega a Sua autoridade. Falando dos anjos, o salmista declara:
Salmo 103:20 — "Bendizei ao SENHOR, vós, anjos seus, vós, poderosos em força, que executais a sua palavra e obedeceis à voz da sua palavra!"
Por essa razão, quando oramos com as Escrituras, não estamos apenas expressando nossos próprios desejos. Estamos declarando a vontade revelada de Deus e concordando com o que Ele já disse. Ao proclamarmos a Sua Palavra com fé, participamos daquilo que Ele deseja realizar na Terra.
Você pode usar essa mesma passagem em oração por sua família, sua igreja, sua cidade, sua nação, missionários, pastores, líderes governamentais ou qualquer pessoa que o Senhor colocar em seu coração.
Note que você não está simplesmente repetindo um versículo. Você está concordando com o que Deus já declarou ser o Seu desejo.
Ao continuar com essa prática, as Escrituras se tornam mais familiares, sua fé se fortalece e suas orações se alinham cada vez mais com o coração de Deus.
Conclusão
Deus nos deu um presente incrível em Sua Palavra. Através dela, Ele revela Seu caráter, Suas promessas, Sua sabedoria e Sua vontade. Quando oramos de acordo com as Escrituras, não estamos tentando persuadir Deus a fazer algo que Ele nunca desejou. Estamos nos unindo a Ele naquilo que Ele já revelou.
Que suas orações sejam cada vez mais moldadas pela Palavra de Deus, centradas em Jesus Cristo e focadas em Seu reino. Ao encher seu coração com as Escrituras, você descobrirá não apenas maior confiança na oração, mas também uma comunhão mais profunda com Aquele que inspirou cada página de Sua Palavra.
Continue crescendo na oração
Aprender a orar com a Palavra não se trata de memorizar um método, mas sim de aprender a orar como Jesus, os apóstolos e a Igreja primitiva oravam: com o coração rendido a Deus e a mente cheia da Sua verdade.
Para ajudar você a começar, preparamos uma coletânea de Orações Apostólicas extraídas diretamente das Escrituras. Essas orações bíblicas podem ajudá-lo a interceder por sua família, igreja, cidade, nação e pelas nações, orando com confiança para que a vontade revelada de Deus seja feita.
Se você deseja aprofundar ainda mais seu conhecimento, convidamos você a se unir a fiéis de todo o mundo nos 21 Dias de Consagração Global. Durante esses vinte e um dias, centenas de milhares de cristãos de diversas nações reservam um tempo para se humilharem perante o Senhor por meio da oração, do arrependimento, do jejum e da busca conjunta por Sua presença.
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"Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra." — 2 Crônicas 7:14 (ESV)


